2007/03/06

programas híbridos 02

"Num ensaio anterior explorei a ideia de que, num campo como o da arquitectura, a ideia de híbrido implica sempre uma certa ansiedade. Tal ansiedade diz respeito ao receio de se perder a identidade, confundindo-se a prática da arquitectura com práticas que lhe são próximas. É o fantasma que surge da transformação iminente de uma dada cultura. Procurava então explicar-se que, no entanto, esta ansiedade parte de pressupostos errados. O próprio conceito de cultura implica uma troca permanente. Neste contexto, os programas híbridos reflectem a necessidade da própria cultura da edificação se actualizar e adaptar às suas novas circunstâncias.Porém, não é só através da programação que se dá a possibilidade de actualização da própria cultura arquitectónica. Prolongando a metáfora informática, é interessante ir um pouco mais atrás – ou mais à frente – e sugerir que é no próprio código que deparamos com as possibilidades mais excitantes de update da cultura arquitectónica.O potencial da programação enquanto motor de transformação cultural da prática arquitectónica reside, afinal, tão só nas respostas concretas que alguns arquitectos dão a programas híbridos que lhes são impostos a partir de fora. O potencial do código arquitectónico, porém, vive da própria transformação das linguagens, das referências e dos valores através das quais a arquitectura se relaciona de novo com a cultura popular do quotidiano.(...) "

Texto crítico, com o título 'Para Além dos Programas Híbridos: A Arquitectura do Código Aberto' de Pedro Gadanho in arq/a #43, Março '07

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